Guimarães, o chão do impulso fundador
Daqui Nasceu Portugal


Faltam 900 dias para os 900 anos
o estado da arte em notas soltas
Afonso Henriques,
S. Mamede e Guimarães
A construção da identidade nacional portuguesa encontra-se indelevelmente ligada a Guimarães e à figura central de D. Afonso Henriques. Este vínculo não é meramente geográfico ou biográfico, mas assume-se como uma construção historiográfica e mítica de longa duração, onde a realidade documental e a ficção literária se entrelaçam para fundamentar a ideia de Portugal. A análise da transição do Condado Portucalense para o Reino Independente exige uma compreensão profunda do papel de Guimarães enquanto centro de coesão social e política, bem como da Batalha de São Mamede como o evento catalisador que permitiu a emergência de uma consciência pátria autónoma em relação ao Reino de Leão e à influência galega.
Para além da lenda
Um rosto para Afonso Henriques


Em 2009, quando em Guimarães se celebrou os 900 nos do nascimento de Afonso Henriques, promovemos uma exposição, na Sociedade Martins Sarmento, com as diferentes representações conhecidas de um retrato desconhecido: Os rostos de Afonso Henriques. Para o catálogo escrevi um texto em que tratei os diferentes retratos afonsinos que foram sendo feitos ao longo dos séculos, uns esculpidos, outros pintados, outros gravados em madeira ou em cobre, outros litografados e, também, os retratos “falados”, que se encontram nas fontes históricas e na literatura. Aos olhos saltava uma evidência: muitos rostos deram a Afonso Henriques, até que Soares dos Reis fixou o definitivo, no monumento encomendado e pago pelos vimaranenses, inaugurado em 1884, e a quem o povo cognominou de rei preto. É nessa imagem que visualizamos Afonso Henriques, apesar de a estátua ter diversos elementos pouco plausíveis e anacrónicos. Ao contrário de D. Dinis, cujo rosto conhecemos agora com precisão científica, para D. Afonso Henriques ainda estamos dependentes de uma mistura de crónicas medievais e deduções genéticas.
O que hoje se sabe, resulta do cruzamento das descrições dos cronistas, da breve observação, com recurso a uma microcâmara introduzida no túmulo em 2006, pela equipa da antropóloga Eugénia Cunha, nos trabalhos preparatórios para o estudo dos restos mortais do rei fundador, que não se concretizaria, e dos novos dados genéticos da sua linhagem D. Dinis, resultados de um projecto de investigação internacional, com a participação da mesma investigadora. Cruzando estas informações, foi possível chegar ao estado da arte do conhecimento sobre as feições e o corpo de Afonso Henriques, e confrontando-o com a imagem que é transmitida pelas crónicas e pela tradição.
Afonso Henriques, retrato imaginado por IA
Regresso a Araduca
Guimarães: mais do que uma cidade, um modo de ser
De que se fala quando (aqui) se fala de Araduca
Sejamos claros: a Araduca de que Ptolomeu falava, se algum dia existiu, não foi no lugar que hoje chamamos Guimarães


A cidade imginária de Araduca.. A dissemelhança com a realidade não será coincidência. Imagem especulativa criada por IA
A vila de Araduca, segundo o Padre Torcato
Texto integral, em versão moderna, do 46.º capítulo das Memórias Ressucitadas da Antiga Guimarães, do Padre Torcato Peixoto de Azevedo (1822-1705)


A vila do Castelo (pormenor da planta de cerca de 1569, Guimarães da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro).


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ÚLTIMA PUBLICAÇÃO No BLOGUE
... eu pudera dizer muito mais, sobre ser Guimarães a antiga Araduca; mas, por ora, basta o que está dito. João Baptista de Castro
ESCRITA EM dia
Descobrir o Capitão Pina
no centenário do Café Oriental
Há figuras cuja obra se descobre por fragmentos dispersos, mas que só ganha pleno sentido quando vista em conjunto. É o caso do Capitão Luís Augusto de Pina Guimarães, protagonista maior de um momento decisivo da modernização urbana de Guimarães. Militar, republicano e homem de visão, pensou a cidade como espaço vivido, simbólico e projectado no futuro.
O seu ano de ouro — entre 1924 e 1925 — concentra realizações e reconhecimentos que justificam um olhar atento: o Plano de Melhoramento e Urbanização, com a proposta audaz da chamada “pata de ganso” para a zona oriental da cidade; a inauguração do Café Oriental, obra singular inspirada no imaginário do Antigo Egipto; e a atribuição do título de sócio honorário do Vitória Sport Clube, sinal do seu enraizamento cívico e popular.
A obra de Luís de Pina não se esgota no que foi construído. Projetos como a marquise do Toural, nunca realizada, ou o mosaico da Praça de D. Afonso Henriques — que gerou uma das mais intensas polémicas culturais do século XX vimaranense — revelam a coerência de um pensamento urbano atento ao detalhe, ao conforto e à memória.
O centenário do Café Oriental motivou, recentemente, um renovado interesse pela sua obra, com a edição do Esboço Explicativo, pela Sociedade Martins Sarmento, e a exposição sobre a antiga Muralha de Guimarães. Esta secção do site reúne esses caminhos: o Café Oriental, a marquise e o mosaico, como portas de entrada para compreender uma das visões mais marcantes da Guimarães moderna.




Os dias que fizeram Guimarães
Efemérides do dia


DESCOBRIr guimarães
Destaques
FESTAS NICOLINAS
Mais do que uma festa, as Nicolinas são um estado de espírito. Únicas no país, estas festividades estudantis mantêm viva uma tradição secular que mistura devoção, transgressão e afirmação juvenil. Ao falarmos das Nicolinas, entramos no coração pulsante desta celebração que define o ADN de Guimarães.
AFONSO HENRIQUES
A biografia de Afonso Henriques, o primeiro rei dos portugueses, vive entre a sombra e a luz. Filho do conde D. Henrique de Borgonha e de D. Teresa, infanta de Leão, terá nascido por volta de 1109, sendo incertas tanto a data como o lugar. Mas nada tem de incerto a sua ligação a Guimarães e a de Guimarães à fundação do país que Afonso Henriques fez nascer.
CAMILO CASTELO BRANCO E GUIMARÃES
Não podemos dizer que exista uma Guimarães na obra de Camilo, mas sim múltiplas cidades sobrepostas, construídas e demolidas conforme a necessidade da narrativa ou o estado de espírito do autor. Nos 200 anos do seu nascimento, celebramos Camilo, a sua obra vimaranense e a sua tocante amizade com Martins Sarmento.
BIBLIOTECA VIMARANENSE
Organizada a partir do Dicionário Bibliográfico Português, Inocêncio Francisco da Silva e de Brito Aranha, esta secção constitui uma biblioteca virtual dos autores vimaranenses clássicos. Aqui, reunimos os verbetes dos escritores, clérigos e juristas nascidos em Guimarães que constam do Dicionário Bibliográfico Português, facilitando o acesso às suas biografias e obras digitalizadas.
CRONOLOGIA: O TEMPO DE GUIMARÃES
Para compreender a História, é fundamental situarmo-nos no tempo. Esta secção funciona como uma bússola temporal, agregando factos, datas e acontecimentos que, dispostos cronologicamente, nos permitem visualizar a longa marcha de Guimarães através dos séculos, do condado portucalense à atualidade.
DICIONÁRIO DE GUIMARÃES
Aqui, S. Gualter lê-se "Gualtér", as papas não entaramelam a língua e o vernáculo é tratado com o carinho de um adjetivo. Se quer entender porque é que em Guimarães se trocam os V's pelos B's com tanto orgulho, ou descobrir o significado real das expressões mais coloridas da nossa praça, entre no nosso Dicionário.
o guimarães das duas caras
Com o tempo, a ideia de que os de Guimarães têm duas caras adquiriu estatuto de mito urbano. Aqui revisitam-se a estátua “O Guimarães”, com o rosto simplificado na couraça, e as tentativas de explicar o epíteto com feitos heróicos em Ceuta ou castigos a Barcelos – sem documentos que o sustentem. Seguem-se histórias, mal-entendidos e reapropriações desse apelido incómodo.
A OLIVEIRA
Se Guimarães tem um coração, ele bate na Praça da Oliveira. Ponto de encontro entre o poder religioso (a Colegiada) e o poder civil (a antiga Câmara), este largo é um palimpsesto de estilos e memórias. Aqui, analisamos os monumentos que a definem e as histórias que o seu chão esconde.
NÊSPERAS E MAGNÓRIOS
A ambos chamam nêsperas mas, de serem tão diferentes, qualquer um perceberá que devem ser designados de modo diferente, sob pena de não se saber ao certo do que se fala quando se fala duma nêspera. Nas Memórias de Araduca esclarecemos as diferenças, descobrimos as nêsperas em locais inesperados da literatura e partilhamos receitas com este fruto tão antigo e tão ignorado.
Memórias de Araduca
Princípio e percurso
Desde outubro de 2007, o blogue tem sido o guardião de histórias resgatadas à "arca do esquecimento". Mais do que um arquivo, afirmou-se como um diário cívico e cultural, onde a história de Guimarães, a política e a tradição se cruzam. Agora alojado em blog.araduca.pt, continua a ser o palco da escrita regular e da atualidade, mantendo viva a chama da nossa identidade e a defesa intransigente do património.


O blogue, um diário irregular
a webpage, um arquivo vivo
Com quase duas décadas de escritos, a riqueza do acervo exigia uma nova arrumação. O araduca.pt nasce para transformar a dispersão cronológica em organização temática. O objetivo é recuperar e estruturar os temas vimaranenses, tornando a leitura acessível e lógica. Este é o espaço para aprofundar o conhecimento, permitindo novos formatos e uma visão estruturada da história e cultura de Guimarães.
ainda na blogosfera
Cumplicidades afectivas
Um espaço de cidadania atenta, reflexão crítica e elegância na escrita. Rui Vítor Costa cruza a memória com a atualidade, oferecendo um olhar aguçado sobre o devir de Guimarães. Entre a fina ironia, a defesa do património e o rigor cívico, o Passado Futurível continua a ser um porto de abrigo indispensável para quem gosta de pensar a cidade e a vida.
passado Futurível
Fototeca de guimarães
O álbum de família coletivo da cidade. Nuno Saavedra construiu um arquivo visual imprescindível, resgatando postais e fotografias antigas que documentam a evolução urbana e humana de Guimarães. A Fototeca é uma janela aberta para o passado, preservando a identidade visual vimaranense contra o esquecimento do tempo.
Elogio à resistência. Numa era de conteúdos efémeros, estes territórios amigos mantêm viva a chama da "blogosfera" clássica. Rui Vítor Costa, Nuno Saavedra, Albertino Gonçalves e, claro, a Sociedade Martins Sarmento, são guardiões de memórias e reflexões. Partilhar os seus feeds aqui é um reconhecimento justo à persistência, à amizade e ao serviço público de cidadania digital que continuam a prestar à cultura.


tendências da imagem
O olhar aguçado e sensível do sociólogo Albertino Gonçalves sobre a cultura visual. Mais do que um blogue sobre imagens fixas e em movimento, é um exercício contínuo de ler a sociedade e a cultura através das suas representações visuais. Desconstrói o óbvio para revelar os significados culturais ocultos nos registos visuais, do passado e do presente.
pedra formosa
A voz digital de uma instituição tutelar. O blogue da Sociedade Martins Sarmento é uma porta aberta para a arqueologia e a história antiga da região. Entre a divulgação científica e a memória institucional, aqui guardam-se os ecos das raízes mais profundas de Guimarães, honrando o legado do seu patrono.






















