1. Antes de entrar
O Memórias de Araduca não é um site de atualidade, nem um repositório neutro de dados, nem uma enciclopédia fechada. É um projeto pessoal, cultural e cívico dedicado à história, à memória, às tradições e às gentes de Guimarães. Nasceu em 2007 como blogue, num tempo em que a escrita longa ainda encontrava espaço na internet, e evolui agora para uma estrutura mais ampla, pensada para resistir à dispersão, ao esquecimento e à tirania do instante.
A mudança de formato não representa uma rutura, mas um regresso: ao texto lido com tempo, à organização do conhecimento, à possibilidade de cruzar fontes, imagens, lugares e pessoas sem a pressão do algoritmo nem a lógica do consumo imediato. Este site é um território próprio, aberto a quem o queira percorrer com curiosidade, espírito crítico e gosto pela memória.
2. O que é Araduca (e por que razão o nome importa)
A Araduca de que aqui se fala não é a cidade imaginada por Ptolomeu, nem um topónimo deslocado em mapas antigos. A Araduca que dá nome a este projeto é a vila do Castelo descrita pelo padre Torcato Peixoto de Azevedo nas Memórias Ressuscitadas da Antiga Guimarães: o povoado primitivo sobre o Monte Latito, austero, muralhado, compacto, anterior às grandes intervenções urbanas e simbólicas que moldaram a cidade posterior.
Essa Araduca tem existência histórica documentada, mas também uma dimensão mítica. É, ao mesmo tempo, lugar real e metáfora. Representa a cidade antes da cristalização das narrativas fáceis, antes da monumentalização seletiva, antes da perda de escala humana. É dessa confluência entre documento e imaginação histórica que nasce o projeto: olhar Guimarães a partir das suas camadas mais profundas, recusando tanto o folclore acrítico como a abstração académica desligada do território.
3. Duas casas, a mesma identidade
As Memórias de Araduca habitam hoje duas casas complementares:
o blogue (blog.araduca.pt), que mantém a lógica do diário irregular, onde continuam a surgir novos textos, imagens, reflexões e intervenções;
o site (araduca.pt), pensado como espaço de organização temática, arquivo estruturado e plataforma de consulta.
Tudo o que foi publicado ao longo dos anos permanece acessível. A diferença está no modo de leitura. Enquanto o blogue obedece à cronologia da publicação, o site permite agrupar conteúdos dispersos, organizá-los por temas e criar percursos de leitura mais coerentes e sistemáticos.
4. Como está organizado o site
O site estrutura-se em grandes áreas temáticas, acessíveis a partir do menu principal. Cada uma delas subdivide-se em núcleos específicos, visíveis num segundo menu horizontal, próprio de cada secção.
▸ Guimarães
É a unidade nuclear do site. Reúne conteúdos sobre o território, a história, a administração, a economia, a população, os transportes, as freguesias, os grandes acontecimentos e as fatalidades que marcaram a memória coletiva. Aspira a funcionar como um esboço de enciclopédia crítica do concelho, sempre em construção.
▸ Património
Dedicada ao património material e simbólico: arqueologia, arquitetura, espaços urbanos, ruas, praças, lugares, edifícios religiosos e civis. Aqui, o património é tratado como documento histórico vivo, lido à luz das fontes e das dinâmicas sociais, e não como cenário imobilizado.
▸ Gente
Área dedicada às pessoas que fizeram e fazem Guimarães. Inclui biografias, coletividades, associações e dossiês temáticos. O olhar é documental e crítico, recusando tanto a hagiografia como o esquecimento dos anónimos.
▸ Tradições
Espaço do património imaterial: festas, romarias, rituais religiosos, gastronomia, usos e costumes, fala local. Destacam-se aqui o dicionário de regionalismos e os dossiês dedicados às grandes festas vimaranenses, com particular atenção às Festas Nicolinas.
▸ Biblioteca
Repositório de fontes e ferramentas de trabalho: Biblioteca Vimaranense Online, escritores, imprensa, documentos, livros e autores. Privilegia-se o acesso à fonte primária, à obra integral e à documentação, como serviço público à investigação e à curiosidade informada.
▸ Pasmatório
Espaço de opinião e intervenção cívica. Recupera o sentido tradicional do pasmatório como ágora vimaranense: lugar de debate, escrutínio e palavra pública. Aqui não se pratica neutralidade asséptica, mas cidadania assumida e fundamentada.
▸ Ludoléxico
Área lúdica dedicada ao jogo com as palavras: charadas, enigmas, palavras cruzadas e desafios linguísticos. Afirma o direito ao ócio criativo e ao prazer intelectual de brincar seriamente com a língua.
5. Ferramentas e funcionalidades
O site foi pensado para ser explorado de diferentes formas:
Menus de acesso rápido, um global, no cabeçalho e outro, no topo das páginas de cada de cada área temática, encaminhando para os diferentes assuntos aí tratados.
Pesquisa global, por palavras e expressões, abrangendo o site e o blogue;
Tags e indexação temática, permitindo leituras transversais;
Efemérides, que ligam datas do calendário a acontecimentos da história local;
Séries e dossiês, que desenvolvem temas ao longo de vários textos;
Formulário de contacto, disponível no final das páginas, para correções, sugestões e contributos.
6. Como usar este site
Não há um único modo de leitura. O Memórias de Araduca pode ser usado como:
espaço de leitura ocasional;
arquivo de consulta;
ferramenta de investigação;
lugar de debate cívico.
Pode entrar por um texto e seguir as ligações; pode procurar um nome, um lugar ou uma data; pode regressar ciclicamente às efemérides; pode usar a biblioteca como ponto de partida para estudos mais aprofundados.
Este é um projeto aberto, em permanente construção. Cresce devagar, por acumulação, correção e aprofundamento. Tal como a cidade que lhe dá nome.
Memórias de Araduca
Visita Guiada
Por um espaço dedicado ao estudo e divulgação do património, das tradições e da identidade, com o rigor da investigação e a paixão pela memória.


Memórias de Araduca:
História e caminho
Desde outubro de 2007, o blogue tem sido o guardião de histórias resgatadas à "arca do esquecimento". Mais do que um arquivo, afirmou-se como um diário cívico e cultural, onde a história de Guimarães, a política e a tradição se cruzam. Agora alojado em blog.araduca.pt, continua a ser o palco da escrita regular e da atualidade, mantendo viva a chama da nossa identidade e a defesa intransigente do património.


O blogue, um diário irregular
a webpage, um arquivo vivo
Com quase duas décadas de escritos, a riqueza do acervo exigia uma nova arrumação. O araduca.pt nasce para transformar a dispersão cronológica em organização temática. O objetivo é recuperar e estruturar os temas vimaranenses, tornando a leitura acessível e lógica. Este é o espaço para aprofundar o conhecimento, permitindo novos formatos e uma visão estruturada da história e cultura de Guimarães.
De Araduca a Guimarães
Memórias de Araduca é um projecto de António Amaro das Neves sobre história e cultura de Guimarães e do Minho, iniciado em Outubro de 2007.


Memórias de Araduca
Assim como Araduca, a cidade mítica que dizem que terá existido no local onde Guimarães depois se implantou, também a história de Guimarães se confunde, não raras vezes, com lendas e tradições que a historiografia nem sempre confirma.
Este blogue é um espaço de opinião e divulgação dedicado à história, à cultura, ao modo de ser e às tradições de Guimarães e dos vimaranenses. De vez em quando, também é um lugar de causas. As opiniões aqui expressas apenas reflectem e comprometem o pensamento do autor que as subscreve.


Araduca
E assim a nossa leal vila de Guimarães tão antiga, como ilustre, teve tantos nomes, como foram as nações que a ocuparam: foi a sua fundação dos Galos Celtas, porque ficaram estes tão desbaratados, que compadecidos os Gregos do suas desventuras os receberam entre si, e com afabilidade lhe deram lugares, e terras, onde vivessem, e de tal maneira os trataram como seus filhos, que desta sorte ficaram naturais, e moradores de Entre-Douro-e-Minho, cultivando a terra que fica entre Lima e Minho. Aos Tudertanos que entre os Galos Celtas era gente mais nobre, e que haviam escapado da derrota, que entre si tiveram na passagem da rio Lima, e que ficando atrás se foram aposentar na antiga morada dos príncipes da Lusitânia, ali fizeram uma povoação a que chamaram Araduca, da qual Ptolomeu faz menção L. 2. C. 5 no ano de 339 antes de Cristo, onde agora está situada a vila de Guimarães.”


Padre Torcato Peixoto de Azevedo
Ser de Guimarães
Guimarães tem sido sempre também uma das constantes da minha vida. Em toda a parte me dou a conhecer como homem de Guimarães E, em toda a parte, me conhecem como tal.Quando alguém me pergunta se sou português, é do meu hábito – e da minha verdade – responder:‘Não, não sou português, sou mais do que isso, sou de Guimarães! Com efeito, sou de uma pátria pequenina e sólida chamada Guimarães, que tem por limite Vizela e Caneiros, a Penha e a Pisca. O resto, meus velhos amigos, é a fronteira de um outro mundo’.No amor pelos homens, e na defesa dos seus direitos e dignidade, não reconheço fronteiras. Mas a minha Pátria, a Pátria que me fez vibrar, a minha Pátria autêntica e forte é a Pátria da minha infância, é Guimarães!


Joaquim Novais Teixeira
Os Vimaranenses
Porque têm história, a história é objecto de culto entre os vimaranenses. Não exactamente a história-ciência, tal como agora consta dos livros e se ensina nas universidades. Essa, não lhes diz grande coisa, porque há uma outra história, a deles, muito mais antiga, muito mais perene, que se transmite de geração em geração, carregada de verdades inquestionáveis. É a essa história que os vimaranenses se vinculam e que veneram como parte indissociável da sua herança colectiva. Até o mais humilde e menos letrado dentre eles será capaz de a defender, com a galhardia e a veemência dos que se sabem senhores da razão, com o mais ilustrado dos catedráticos. Porque, como já alguém disse, em Guimarães somos todos historiadores.


António Amaro das Neves
memórias de araduca, desde 2007
As faces das memórias
Instântaneos de um percurso de duas décadas pela história, pela cultura e pelas tradições de Guimarães










