Em Guimarães, somos todos historiadores. (Diuner de Guimarães)

J. A. Santos Simões

hOMEM DE CULTURA E CONHECIMENTO

Político, encenador, escritor, matemático, professor

Joaquim António dos Santos Simões nasceu no Espinhal, concelho de Penela, a 12 de agosto de 1923. Estudante em Coimbra, envolveu-se cedo nas lutas académicas pela liberdade associativa: entre 1944 e 1947 participou nos movimentos pela autonomia da Associação Académica de Coimbra, integrou o MUD Juvenil e entrou para o Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC), de que foi actor, encenador e diretor. Em 1950/51 presidiu à AAC e concluiu duas licenciaturas – Ciências Matemáticas e Engenharia Geográfica –, começando então a traçar o perfil que o acompanharia pela vida fora: professor exigente, militante democrático, homem de cultura e de causas.

Em 1957 fixa-se em Guimarães para lecionar Matemática na Escola Industrial e Comercial (antiga Escola Industrial Francisco de Holanda). A partir daí, a cidade torna-se o seu campo de ação privilegiado. Sob vigilância do Estado Novo, faz da vida associativa um instrumento de educação e cidadania: está entre os fundadores e dinamizadores do Círculo de Arte e Recreio, do Cineclube de Guimarães, do Teatro de Ensaio Raul Brandão, da Cercigui e do Infantário Nuno Simões, anima debates, cursos, cine-fóruns, peças de teatro, e ajuda a ligar sucessivas gerações à cultura contemporânea.

A sua oposição ao regime vale-lhe prisão pela PIDE, em 1968, e afastamento do ensino oficial. Participa no II Congresso da Oposição Democrática e nas campanhas da CDE por Braga, inscrevendo-se na longa resistência que mais tarde evocará em livros como Sete anos de luta contra o fascismo – Academia de Coimbra 1944-1951 e Braga, grito da liberdade – história possível de meio século de resistência. l Depois do 25 de Abril, é reintegrado no ensino, regressa à escola de Guimarães e assume responsabilidades no MDP/CDE, quer a nível nacional quer no distrito de Braga.

Ligado desde cedo à Universidade do Minho, integra a comissão instaladora e, mais tarde, o Senado, ao mesmo tempo que se afirma como uma referência moral e cultural da região. Em 1990 é eleito presidente da Sociedade Martins Sarmento; sob a sua direção concretizam-se dois projetos estruturantes: o Museu de Cultura Castreja, em Salvador de Briteiros, e a Casa de Sarmento – Centro de Estudos do Património, que prolongam e atualizam a herança de Francisco Martins Sarmento. Em 1996, o Presidente Jorge Sampaio distingue-o como Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, sublinhando o resistente antifascista, o professor e o “catalisador de obras coletivas”.

Morre a 23 de junho de 2004, poucos dias depois de a Escola Secundária da Veiga ter passado a chamar-se Escola/ Agrupamento de Escolas Santos Simões. Na evocação que fizeste em Memórias de Araduca, sublinhaste um traço decisivo: a resistência, “até aos limites das suas forças”, e a frase que proferiu numa homenagem, em 1999, na Universidade do Minho – “para descansar temos uma eternidade”. Fica, na memória de Guimarães, como um dos grandes artesãos da vida democrática e cultural da segunda metade do século XX.

santos simões, nota biográfica
Percurso
  • 1923 (12 de agosto) – Nasce no Espinhal, Penela.

  • 1930–1934 – Frequenta a escola primária na vila do Espinhal.

  • 1934–1936 – Estuda no Seminário Maior de Coimbra; em 1937 ingressa no Colégio Progresso.

  • 1944–1947 – Participa nas lutas académicas pela liberdade associativa na AAC e nas atividades do MUD Juvenil; entra para o TEUC, onde será actor, encenador e diretor.

  • 1950/1951 – Presidente da Associação Académica de Coimbra; conclui as licenciaturas em Ciências Matemáticas e Engenharia Geográfica.

  • 1952–1956 – Publica textos sobre o TEUC, teatro e intervenção cultural; inicia atividade como professor.

  • 1957 – Muda-se para Guimarães como professor de Matemática na Escola Industrial e Comercial de Guimarães (atual Escola Secundária Francisco de Holanda).

  • Anos 1950–1960 – Funda e dinamiza o Círculo de Arte e Recreio, o Cineclube de Guimarães, o Teatro de Ensaio Raul Brandão, a Cercigui e o Infantário Nuno Simões, entre outras iniciativas.

  • 1968 – Preso pela PIDE e afastado da função pública, devido à sua atividade política de oposição.

  • 1969 – Participa no II Congresso da Oposição Democrática, em Aveiro; candidato da CDE pelo círculo de Braga.

  • Década de 1970 – Após o 25 de Abril, é reintegrado no ensino oficial; participa na criação do MDP/CDE, integrando os órgãos nacionais e a estrutura distrital de Braga. memorial2019.org

  • Anos 1970–1980 – Integra a comissão instaladora e, depois, o Senado da Universidade do Minho.

  • 1987 – Publica Contribuição para a história da Associação Académica de Coimbra – 1936-1951; continua a refletir sobre memória e resistência.

  • 1990 – Eleito presidente da Sociedade Martins Sarmento; impulsiona o Museu de Cultura Castreja e a Casa de Sarmento – Centro de Estudos do Património.

  • 1996 – Agraciado como Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique pelo Presidente Jorge Sampaio.

  • 1999 (23 de outubro) – Homenageado pelo Conselho Cultural da Universidade do Minho; Henrique Barreto Nunes publica a crónica “Homenagem ao Dr. Santos Simões”.

  • 2004 (23 de junho) – Morre no Hospital de Fafe; pouco antes, a Escola Secundária da Veiga, em Guimarães, passara a chamar-se Escola Santos Simões.

Santos Simões nas Memórias de Araduca