Raul Brandão
autor de a farsa e de hÚmus


Escritor, jornalista, senhor da Casa do Alto
Raul Germano Brandão nasceu na Foz do Douro, Porto, a 12 de março de 1867, filho de José Germano Brandão, negociante, e de Laurinda Laurentina de Almeida. Oficial do Exército e jornalista, é sobretudo como escritor que se impõe: um dos grandes prosadores portugueses da viragem de Oitocentos para Novecentos, com um realismo carregado de lirismo e de angústia metafísica que o aproxima da chamada Geração de 90. Obras como Os Pobres, Os Pescadores, Húmus, As Ilhas Desconhecidas, Memórias ou a peça O Gebo e a Sombra fizeram dele referência maior da modernidade literária portuguesa.
Em 1896 é colocado no Regimento de Infantaria 20, em Guimarães, onde conhece Maria Angelina de Araújo Abreu, com quem casa em 1897. Adquire então, em Nespereira, a futura “Casa do Alto”, que transforma numa quinta minhota e que será casa de família, refúgio de escrita e lugar de observação privilegiado da vida rural vimaranense. Reformado do Exército em inícios do século XX, reparte a vida entre Lisboa e Guimarães, mas é nesta que escolhe a última morada: morre em Lisboa, a 5 de dezembro de 1930, e em 1934 os restos mortais são trasladados para o cemitério de Guimarães.
Hoje, a Casa do Alto e o jardim anexo estão classificados como Imóvel de Interesse Público, a Biblioteca Municipal de Guimarães tem o seu nome e o festival literário Húmus e múltiplas iniciativas culturais mantêm viva, na cidade que adotou, a memória daquele que muitos consideram “o mais ilustre escritor de Guimarães”.


raul brandão, nota biográfica
Percurso
1867 (12 de março) – Nasce na Foz do Douro, Porto.
1888 – Ingressa na Escola do Exército; inicia carreira militar, em paralelo com o jornalismo e a literatura.
1896 – Colocado no Regimento de Infantaria 20, em Guimarães; conhece Maria Angelina de Araújo Abreu.
1897 (11 de março) – Casa com Maria Angelina; começa o processo de aquisição e transformação da futura Casa do Alto, em Nespereira (Guimarães).
Inícios do séc. XX – Reforma-se do Exército e passa a viver entre Lisboa e a Casa do Alto, onde escreve parte importante da sua obra.
1917 – Publica Húmus, considerado o seu livro maior e um marco da narrativa moderna portuguesa.
1920–1925 – Dá à estampa Os Pescadores, As Ilhas Desconhecidas e Memórias, onde o Minho, o Douro e o Atlântico se cruzam com a reflexão social e existencial.
1930 (5 de dezembro) – Morre em Lisboa, freguesia da Lapa.
1934 – Trasladação dos restos mortais para o Cemitério de Guimarães.
Desde 1982 – Casa do Alto e jardim anexo classificados como Imóvel de Interesse Público; afirmam-se como lugar de memória de Raul Brandão em Nespereira.
2017 – Guimarães celebra o centenário de Húmus com festival literário, exposições e uma semana de iniciativas em torno da vida e obra do escritor.
Raul Brandão nas Memórias de Araduca






