José Ferreira Guimarães
o mestre da luz


O fotógrafo imperial
José Ferreira Guimarães personifica uma das mais extraordinárias trajetórias de ascensão social e técnica da história da fotografia. A sua vida, envolta durante décadas num silêncio sobre as suas origens, revela-se hoje como uma saga de superação que começou na obscuridade e culminou na consagração internacional. De acordo com os registos paroquiais de Guimarães, José nasceu a 18 de março de 1841, tendo sido deixado como "exposto" na Roda da cidade na madrugada seguinte. Sem rasto de família biográfica na sua terra natal, o jovem emigrou para o Brasil com apenas 11 anos, carregando consigo o nome da sua cidade como único apelido e futura marca de prestígio.
No Rio de Janeiro, Guimarães não apenas aprendeu o ofício, como o revolucionou. Estabelecido na célebre Rua do Ouvidor, n.º 120, rapidamente se tornou o retratista predileto da elite e da Família Imperial. Em 1866, D. Pedro II concedeu-lhe o título de "Photographo da Casa Imperial", um reconhecimento que consolidou o seu estúdio como um dos centros artísticos do Império. A sua audácia técnica ficou gravada na história em 1867, quando produziu um retrato monumental de dois metros de altura, uma proeza quase impossível para os recursos da época. Casou-se com a portuguesa Virgínia Prata, integrando-se, por afinidade, na influente linhagem dos Junqueira.
Com a queda da monarquia brasileira em 1889, Guimarães radicou-se definitivamente em Paris em 1900. Na capital francesa, a sua carreira assumiu uma dimensão científica. Em vez de se reformar, dedicou-se à invenção, patenteando o "Relâmpago Guimarães" (ou Le Magnésium Guimarães), um sistema de flash que permitia capturar imagens em interiores com a qualidade da luz solar. Pelo seu contributo à ciência fotográfica, foi condecorado com a Legião de Honra em 1914. Sem descendência direta, José Ferreira Guimarães dedicou os seus últimos anos a formar o sobrinho-neto de Virgínia, Benedito Junqueira Duarte, a quem transmitiu o seu legado intelectual antes de falecer em Paris, em 1924.


José Ferreira Guimarães, nota biográfica
Percurso
1841 (Março) — É deixado na Roda de Guimarães a 18 de março e batizado no dia 19 na Colegiada de Oliveira.
c. 1852 — Emigra sozinho para o Rio de Janeiro com cerca de 11 anos de idade.
1866 — Nomeado oficialmente "Photographo da Casa Imperial" por decreto de D. Pedro II.
1867 — Apresenta um retrato monumental de 2 metros na Exposição Pública da Academia de Belas Artes.
1889 — Participa na Exposição Universal de Paris, onde as suas inovações começam a ganhar renome europeu.
1900 — Fixa residência definitiva em França, no palacete de Bois-Colombes, em Paris, com a esposa Virgínia Prata.
1910-1912 — Publicação de retratos e condecorações na imprensa brasileira (como a Revista da Semana), celebrando o seu prestígio na Europa.
1914 (Janeiro) — Condecorado pelo governo francês como Cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra.
1920 — Recebe o sobrinho-neto B. J. Duarte em Paris, iniciando-o na fotografia e no cinema.
1924 (30 de Janeiro) — Falece no seu domicílio em Paris, deixando um legado de inovações técnicas e artísticas.






