Guimarães e Braga


Vizinhança e rivalidade.
Duas cidades vizinhas, uma rivalidade secular. A relação entre Guimarães e Braga é tecida de tensões históricas, disputas de primazia e picardias que vão muito além do futebol. Das antigas querelas eclesiásticas e administrativas à luta pela capitalidade do distrito, esta secção analisa, com rigor e alguma ironia, as raízes deste atrito de vizinhança. Uma desconstrução documentada para a interpretação das rivalidades e das cumplicidades que marcam as relações de vizinhança das principais urbes minhotas.


A rivalidade entre Guimarães e Braga é, talvez, a mais antiga e enraizada de Portugal. Mas, ao contrário do que por vezes se sustenta, ela não nasceu nos estádios de futebol. Tem séculos de existência, alimentada por disputas religiosas, políticas e administrativas. Nesta secção, recuamos no tempo para entender as razões históricas desta convivência difícil, mas incontornável.
Sob a etiqueta Guimarães E Braga, mergulhamos nas águas agitadas do relacionamento entre as duas maiores cidades do Minho. Os textos aqui reunidos procuram, com a objetividade do historiador (mas sem perder o sal da terra), explicar a génese deste antagonismo.
Fala-se da ancestral tensão entre o poder dos Arcebispos (Braga) e a nobreza e independência de Guimarães. Recordam-se episódios como as guerras de santos, as disputas de limites territoriais e, crucialmente, a ferida aberta no século XIX com a atribuição da capitalidade do distrito a Braga, facto que gerou ressentimentos políticos duradouros e moldou a atitude reivindicativa de Guimarães.
Mas nem só de costas voltadas viveram as duas cidades. Aqui também se documentam momentos de cooperação e a inevitável interdependência económica e social. O objetivo é desconstruir o mito, mostrando que a rivalidade é, muitas vezes, uma forma de afirmação sustentada de parte a parte.
Ao analisar documentos e polémicas antigas, percebemos que as picardias de hoje são herdeiras de uma longa tradição de defesa de estatuto. Uma leitura saborosa e esclarecedora sobre o que une e o que separa estes dois polos urbanos, provando que a história local também se faz destas tensões saudáveis (e de outras que nem tanto).
Vizinhos desavindos:
Histórias de uma tensão secular
Guimarães e Braga nas Memórias de Araduca






