Capital Europeia da Cultura


Levantou-se e andou.
2012 não foi apenas um ano de festa; foi um marco indelével na cronologia de Guimarães. A Capital Europeia da Cultura funcionou como um catalisador de regeneração urbana e de afirmação comunitária. Percorrendo estes textos, revisitamos as polémicas, os momentos marcantes, as transformações físicas da cidade e o legado imaterial deixado por um evento que, até nas suas imperfeições, colocou Guimarães no centro da atenção de Portugal e da Europa, consolidando a cultura como motor de desenvolvimento e orgulho local.


Mais do que uma sucessão de espetáculos ou eventos efémeros, a Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura constituiu um ponto de viragem na história recente da cidade. Foi um momento em que o burgo se repensou, regenerou o seu tecido urbano e projetou a sua identidade numa escala continental.
O ano de 2012 ficará gravado na memória coletiva vimaranense não apenas pela celebração, mas pela profunda transformação que operou na cidade, incluindo para os que, entre nós, são mais resistentes à mudança. Ao percorrer os registos agregados nos textos dedicados pelo autor à CEC 2012, encontramos a crónica de um tempo em que Guimarães se abriu ao mundo sem perder a sua essência. Não se tratou apenas de acolher a Europa, mas de mostrar como uma cidade de fundação medieval se soube reinventar através da criatividade, do envolvimento cidadão e da reabilitação do seu património edificado.
As publicações aqui reunidas analisam o impacto deste evento para lá do fogo-de-artifício inaugural. Debruçam-se sobre a requalificação de espaços emblemáticos — como a Plataforma das Artes ou o Toural —, que alteraram a vivência quotidiana dos cidadãos e a morfologia da urbe. Mas olham também para as dinâmicas culturais que, por vezes polémicas, agitaram o pensamento crítico local.
Revisitar a CEC 2012 através destes textos é fazer um balanço desapaixonado do que ficou. É entender como o investimento na cultura serviu de alavanca para a autoestima de uma comunidade que, historicamente, sempre soube defender o que é seu. Aqui não se faz apenas a apologia do sucesso; procura-se, com o distanciamento que o tempo permite, perceber as marcas — visíveis e invisíveis — que aquele ano deixou no Berço. Desde a apropriação do espaço público pelas gentes até à projeção turística que hoje se vive, tudo tem raiz nesse ano charneira.
Estas são as memórias de um tempo em que Guimarães foi, efetivamente, capital. Um arquivo l para a compreensão cidade contemporânea.
Guimarães 2012:
Memória de um Tempo de Mudança
A CEC 2012 nas Memórias de Araduca






