Bernardino Jordão
O Visionário da Luz e das Artes


Empresário, visionário
Bernardino Jordão foi uma figura incontornável do progresso vimaranense, cujo legado se funde com a própria modernização da cidade. Republicano convicto, a sua ação não se limitou à política, mas estendeu-se ao empreendedorismo que transformou o quotidiano de Guimarães. Em 1908, Jordão assumiu a concessão da eletricidade na cidade, substituindo a ineficaz gestão de uma companhia britânica. Sob a sua direção, a partir de 1909, a iluminação elétrica deixou de ser uma raridade restrita para se tornar um serviço regular que alcançou tanto a iluminação pública como as casas e fábricas particulares, impulsionando o desenvolvimento industrial e social da região.
A sua firma, Bernardino Jordão, Filhos & C.ª, Lda., manteve esta concessão durante décadas, atravessando diversos regimes políticos até ao período pós-25 de Abril. No entanto, foi na cultura que Jordão ergueu o seu monumento mais visível. Face à decadência e encerramento das salas de espetáculo antigas, como o Teatro D. Afonso Henriques, Bernardino Jordão tomou a iniciativa de dotar Guimarães de um cineteatro condigno.
O Teatro Jordão, projetado pelo arquiteto Júlio José de Brito, foi inaugurado em 1938 e tornou-se o centro da vida social vimaranense, acolhendo desde grandes concertos internacionais até récitas académicas. Bernardino Jordão faleceu subitamente em 1940, não chegando a ver o pleno reconhecimento do seu teatro, que inicialmente ostentou o nome de "Teatro Martins Sarmento" por imposição política, recuperando o nome do seu fundador apenas após a sua morte. O seu funeral foi um momento de luto citadino, com o comércio a encerrar portas em homenagem ao homem que, literalmente, deu luz a Guimarães.
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bernardino jordão, nota biográfica
Percurso
1888: Nascimento em Arões, concelho de Fafe.
Finais do séc. XIX: Estabelece-se em Guimarães como comerciante.
1908: Ganha a concessão da eletricidade para a cidade de Guimarães.
1909: Inicia o fornecimento regular de luz elétrica a habitações e empresas.
1910: Afirma-se como defensor dos ideais republicanos aquando da implantação da República.
1936: Anuncia o projeto de construção de um novo e moderno teatro para a cidade.
1937 (Fevereiro): Início da construção do Teatro Jordão na Avenida Cândido dos Reis (atual D. Afonso Henriques).
1938 (20 de Novembro): Inauguração do teatro, com projeto de Júlio José de Brito.
1940 (23 de Maio): Falece vítima de um ataque súbito no Jardim Público de Guimarães.
1940 (Dezembro): Despacho oficial autoriza que o edifício passe a designar-se oficialmente "Teatro Jordão".
1980 (30 de Junho): Agraciado a título póstumo com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.
1994: Encerramento definitivo do Teatro Jordão como sala de espetáculos privada.






