Em Guimarães, somos todos historiadores. (Diuner de Guimarães)

Auguste Roquemont

O pintor da casa do arco

Pintor romântico luso-suíço, cronista de Guimarães

Auguste Roquemont nasceu em Genebra, a 2 de junho de 1804, filho natural do príncipe Frederico Augusto de Hesse-Darmstadt. Formou-se como pintor em Itália, onde frequentou ateliers e academias, assimilando a tradição do desenho rigoroso e da paisagem romântica. Em 1828 veio para Portugal, ligado ao círculo miguelista do pai, mas cedo a política cede lugar à pintura: instala-se no Norte e encontra em Guimarães um dos seus principais motivos de trabalho. Wikipédia+1

Na década de 1830 é chamado a decorar o interior da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, cobrindo de pinturas o novo teto estucado da nave – intervenção que Alexandre Herculano criticaria por emparedar a velha identidade gótica do templo. Em paralelo, fixa em tela lugares essenciais da urbe: o antigo terreiro do Carmo, com o chafariz e o Passo da Paixão, a praça da Oliveira, varandas e recantos que hoje reconhecemos graças às suas telas “O chafariz de Guimarães (Cena de província)”, “Varanda de Frei Jerónimo (Convento da Costa)”. Tem-lhe sido atribuída a autoria de um desenho com aguada representando um “Vista de Guimarães”, da colecção da Sociedade Martins Sarmento, que falta demostrar.

Durante cerca de década e meia, Roquemont vive entre Porto e Guimarães, hospedado em casas de famílias vinculadas à nova burguesia liberal, como o Visconde da Azenha. Torna-se retratista apreciado e autor de composições de género, onde a vida quotidiana das terras do Minho surge com um realismo contido, iluminado por uma sensibilidade romântica. As suas vistas da cidade são, ao mesmo tempo, documento e invenção: nelas se cruzam o rigor topográfico e a construção de um imaginário urbano que perdurou muito para além do século XIX.

Radicado definitivamente no Porto a partir dos anos 1840, Roquemont integra o núcleo fundador da pintura romântica portuguesa, dialogando com a geração de Tomás da Anunciação ou João Cristino. Morreu na cidade do Porto, a 24 de janeiro de 1852. No entanto, uma parte decisiva da memória visual de Guimarães – do Carmo à Oliveira, da Costa às varandas sobre o burgo – continua a dever-lhe muito. Não é por acaso que, quase dois séculos depois, a sua figura regressa ao salão nobre da Sociedade Martins Sarmento, agora filtrada pela ficção de Roquemont. Fragmentos para uma novela, de José Viale Moutinho, onde o pintor reaparece como personagem da própria história que ajudou a pintar.

Auguste Roquemont, nota biográfica
Percurso
  • 1804 (2 de junho) – Nasce em Genebra, filho natural do príncipe Frederico Augusto de Hesse-Darmstadt.

  • Década de 1820 – Formação artística em Itália, em contacto com a tradição académica do desenho e da paisagem.

  • 1828 – Vem para Portugal, ligado ao círculo miguelista do pai; fixa-se no Norte do país.

  • c. 1830 – Executa as pinturas do teto da nave da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, em Guimarães.

  • c. 1830–1835 – Pinta O chafariz de Guimarães (Cena de província), vista do antigo terreiro do Carmo.

  • 1840 – Data da tela Varanda de Frei Jerónimo (Convento da Costa, Guimarães), hoje na coleção da Sociedade Martins Sarmento.

  • Década de 1840 – Consolida a carreira como retratista e pintor de género no Porto, mantendo ligações a Guimarães.

  • 1852 (24 de janeiro) – Morre no Porto.

  • 2024–2025 – Publicação e apresentação em Guimarães do livro Roquemont. Fragmentos para uma novela, de José Viale Moutinho, que renova o interesse pela sua vida e obra.

Auguste Roquemont. Retrato gerado digitalmente a partir de imagens conhecidas.

O pintor Roquemont nas Memórias de Araduca